Pequenos nós

Nascem entre braços e seios,
onde o mundo ainda é colo e abrigo;
aprendem os primeiros passos,
sem saber que já lhes escolheram o caminho.

Depois, atravessam portões e muros,
entre escolas, creches e mãos emprestadas;
aprendem que crescer é partir,
mesmo quando a alma ainda pede casa.

Quem escuta o choro por trás do silêncio?
Quem acolhe o medo que chamam de birra?
Dizem que tudo é para o seu bem,
enquanto a infância aprende a caber na própria jaula.

E um dia, já adultos, repetem o sonho:
tomam nos braços outra criança assustada;
sem perceber, ensinam-lhe a mesma partida,
enquanto ela só queria permanecer onde se sentia amada.

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