Quando o corpo para

Quando o corpo para, para tudo
Como um relógio quebrado.
Incapaz de marcar as horas
Mas o tempo, a vida, continua seguindo seu fluxo
Fomos tão condicionados a produzir que nos sentimos incapazes de descansar
Estou aqui
Diante da natureza olhando os pássaros em sua jornada
Sentindo o calor do sol em sua plenitude
Porém, não sinto que deveria estar aqui
Deveria estar produzindo
Esqueço que,
A vida produz memórias
O rio corre suas águas em minhas veias
O vento sopra em minhas artérias
O sol queima meu peito enquanto leva seus raios em direção ao coração
Sinto o calor fresco da água que transborda nos versos deste poema enquanto trago a rima que surge do devaneio de um espírito poético incompreendido
Olho incrédula os ponteiros do tempo que não marcam horas, marcam vida
As folhas dançam no ritmo da água do mangue, que por sua vez, apenas executa os passos definidos pelo vento
Resolvo então, timidamente, acompanhar a dança que a natureza me propõe na pausa do corpo, ocasionada pelos pontos costurados em um dos olhos
Passo a enxergar melhor os segundos correndo em ponteiros parados
Minha dança não segue uma sequência orquestrada, pois é direcionada pela inércia de um corpo pausado em movimento interior, em um pulsar constante de um coração feliz
Em luta interna, vence a cada hora que passa de um tempo inútil que nos faz sentir um vazio impreenchivel com tanta possibilidade de transbordar, quando o corpo para

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